terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Módulo Intermediário - Aula 16 - Filtros e Anéis

Nesta aula vamos conhecer os principais filtros e anéis para as nossas lentes, e também em quais situações os mesmos podem nos ser úteis.


Vamos começar pelos filtros. Antes de falar sobre eles, é importante ter em mente o diâmetro da lente em questão, onde ele vai ser rosqueado. Para encontrar o diâmetro da sua lente, procure pelo símbolo do diâmetro em sua parte frontal, seguido de um número em milímetros.

Por exemplo: "Ø 67mm".



Em outros casos, por exemplo nas lentes da Nikon, esta informação não está presente em sua parte frontal. Nesse caso, para descobrir o diâmetro da sua lente, procure o número em milímetros na parte de trás da capa protetora frontal que a acompanha.






Agora que você já sabe onde encontrar a informação sobre o diâmetro da sua lente, para comprar um filtro compatível com ela, é só procurar pelo nome do filtro e seu respectivo diâmetro.

Filtros são basicamente "mini lentes" que se rosqueiam em frente as lentes da câmera. Geralmente proporcionam algum efeito na foto. Vamos conhecer os principais.


Filtro UV (Ultraviolet - Ultravioleta)


Em teoria, o filtro UV bloqueia os comprimentos de onda ultravioleta, melhorando a fidelidade de cores do nosso espectro visível. Seu efeito foi bastante útil na fotografia analógica de filme, deixando as cores muito mais fiéis, uma vez que o filme fotográfico é bastante sensível as interferências causadas pelos raios ultravioletas.

Porém, na fotografia digital, com o aperfeiçoamento dos sensores CCD e CMOS, esta sensibilidade diminuiu drasticamente, ficando praticamente inexistente. A única utilidade real do filtro ultravioleta atualmente, é diminuir em uma cena os tons mais azulados e aumentar um pouco os mais amarelados. O que não faz muito sentido, já que esta correção pode ser feita facilmente sem qualquer filtro, ajustando o balanço de brancos na própria câmera ou na pós-produção.


Nos tempos atuais, o filtro UV serve muito mais como uma proteção extra para a lente, do que para qualquer outra coisa. Já pensou se você derruba no chão uma lente de R$ 1.500 por acidente? Nesse caso, seria preferível quebrar a lente ou um filtro UV de R$ 150 rosqueado em sua frente? Acho que a resposta é bastante óbvia.


Um ponto extremamente importante a ser avaliado, não só nos filtros UV, mas em todos os tipos de filtros, é a sua qualidade. Mesmo as lentes mais simples com qualidade óptica mediana, custam algumas centenas de reais. Então você não acha realmente que aquele kit com 2 filtros por R$ 50 são de boa qualidade, acha?


Não dá para definir um valor mínimo exato para filtros de boa qualidade, mas de modo geral, evite a todo custo usar filtros absurdamente baratos. Quase sempre o valor do filtro é proporcional a sua qualidade, salvos alguns casos.

No caso do filtro UV, por exemplo, não faz sentido perder uma enorme qualidade de imagem com um filtro vagabundo, só para proteger a lente. Entre usar um filtro barato ou não usar nenhum, é preferível não usar nenhum. É a mesma coisa que você usar óculos escuros à noite. Além de não estar protegendo seus olhos de nada, ainda piora a sua visão do ambiente.


As marcas mais recomendadas, que produzem filtros de altíssima qualidade são: Hoya, Tiffen e B+W.


Filtro CPL (Circular Polarizer - Polarizador Circular)



O CPL filtra a passagem da luz polarizada para determinada direção. Ele possui um anel giratório, e dependendo da sua rotação, a luz polarizada é filtrada para um ângulo específico.

A intensidade da polarização é controlada pelo ângulo relativo entre o filtro e a fonte de luz incidente. Uma consequência do CPL, que pode ser positiva ou negativa dependendo do uso, é a diminuição da passagem de luz de 1 a 2 f/stops. A quantidade varia de filtro para filtro, dependendo de sua construção.

Mas paremos de falar tanto da parte técnica e vamos a sua utilidade prática. Usando um filtro CPL, temos dois principais efeitos além da perda de 1 a 2 f/stops já mencionada acima.

O primeiro efeito é a saturação nas cores. Ele é o xodó dos fotógrafos de paisagens. Sabe aquela foto de um céu paradisíaco, com as cores bem saturadas nele e em todo o resto da cena? Em boa parte dessas fotos, filtros CPL são usados para isso.



Créditos: Wikipedia

O segundo efeito é a diminuição drástica dos reflexos em superfícies não-metálicas, como o vidro e a água. É muito útil, por exemplo, quando se quer fazer uma foto mostrando o que há embaixo d'água, ao invés de mostrar principalmente o reflexo do céu.

Créditos: Wikipedia

Assim como para o filtro UV e qualquer outro, evite também comprar um filtro CPL muito barato. Além de não produzir direito os efeitos que deveria, ainda degrada absurdamente a qualidade da imagem. Então lembre-se: nada de cair na tentação de comprar aquele kit de filtro UV + filtro CPL por R$ 50, certo?


Filtro ND (Neutral Density - Densidade Neutra)


O filtro ND serve basicamente para reduzir a quantidade de luz que chega ao sensor. Achou estranho? Tantos fotógrafos reclamando que determinados lugares são escuros demais para fazer boas fotos, então pra que alguém quereria reduzir ainda mais a luz? Muito simples.

Sabe aquela bela foto de uma cachoeira em que a água fica bastante suave, parecendo uma pintura? Este efeito se chama Véu de Noiva, cujo nome é dado justamente pela semelhança do formato da água em relação a um véu de noiva.


Como você tentaria reproduzir este efeito? Parece simples: ISO 100, abertura mínima possível (no geral, em torno de f/22) e uma velocidade de obturador lenta (em torno de 20 a 30 segundos) com a câmera no tripé, para capturar bastante movimento da água. Será que daria certo?

A menos que fosse um lugar muito pouco iluminado ou fosse noite, não, não daria certo. Você já tentou fotografar qualquer coisa clara durante o dia com uma velocidade mais lenta que 1 segundo? Se já tentou, sabe que é impossível usar velocidades tão lentas em condições tão generosas de iluminação, mesmo selecionando o ISO e a abertura para os mais escuros possível.

É aí que entra o nosso amigo, o filtro ND. Entendeu agora como diminuir a luz pode ser útil em certas situações?

Créditos: Wikipedia

Existem vários níveis de diminuição de luz nos filtros ND. Confira a tabela abaixo.

Nível do Filtro Fracionamento da Luz Redução em f/stops Porcentagem da Luz
       
 ND2 ou ND 0.3  1/2  1  50%
 ND4 ou ND 0.6  1/4  2  25%
 ND8 ou ND 0.9  1/8  3  12,5%
 ND16 ou ND 1.2  1/16  4  6,25%
 ND32 ou ND 1.5  1/32  5  3,125%
 ND64 ou ND 1.8  1/64  6  1,563%
 ND128 ou ND 2.1  1/128  7  0,781%
 ND256 ou ND 2.4  1/256  8  0,391%
 ND512 ou ND 2.7  1/512  9  0,195%
 ND1024 ou ND 3.0  1/1024  10  0,098%

Digamos que você queira fazer a tal da foto com o efeito Véu de Noiva na cachoeira. Supondo que sem qualquer filtro você encontre a exposição ideal usando ISO 100, f/22 e 1/15s, mas queira diminuir a velocidade de 1/15s pra 30 segundos para acentuar o efeito.

Nesse caso, para manter a mesma exposição ideal, você precisaria usar um filtro ND512, que reduz os 9 f/stops de diferença entre a velocidade inicial e a pretendida. Faça o cálculo:

1/15s > 1/8s (1 f/stop) > 1/4s (2 f/stops) > 1/2s (3 f/stops) > 1s (4 f/stops) > 2s (5 f/stops) > 4s (6 f/stops) > 8s (7 f/stops) > 15s (8 f/stops) > 30s (9 f/stops)

Aí você pensa: poxa, mas então eu preciso comprar um filtro de nível diferente pra cada situação de luz, que pode variar muito dependendo do ambiente? Para a nossa alegria, não necessariamente!

Existem também os filtros "Variable ND" ou Densidade Neutra Variável. Assim como o CPL, ele também possui um anel giratório. Dependendo da rotação aplicada, a quantidade de luz é menos ou mais reduzida. Geralmente possuem um indicador de quantidade de luz reduzida, para podermos nos guiar com mais precisão.




Existem vários tipos de filtros variáveis. Alguns reduzem de 1 a 3 f/stops, outros de 1 a 5, outros de 1 a 8, e assim por diante.

E para finalizar as variações do filtro ND, temos também o "Graduated ND" ou Densidade Neutra Graduada. Existem dois tipos: os "Soft Edge" ou Borda Suave, e os "Hard Edge" ou Borda Dura.


Ambos funcionam da mesma maneira, porém o "Soft Edge" tem uma transição mais suave e o "Hard Edge" tem uma transição mais dura. Estes filtros são usados para reduzir a luz de apenas uma parte da cena. Geralmente são usados para diminuir a luz do céu, que costuma ficar muito mais claro que o resto da cena.



Filtro CS (Cross Screen - Tela Cruzada)


Também conhecido popularmente como filtro "Star" ou Estrela, o CS faz com que os pontos de luz mais luminosos de uma foto criem múltiplas pontas, fazendo-os parecer estrelas. Dependendo do tipo, o filtro pode criar mais, ou menos pontas. Os mais comuns são de 4, 6 ou 8 pontas. Este filtro cai como uma luva principalmente em fotos noturnas e natalinas.

Créditos: Richard R. Barron


Filtro IR (Infrared - Infravermelho)


Este não é um filtro qualquer. A princípio parece ser como qualquer outro, sendo necessário somente rosqueá-lo na frente da lente para produzir belas fotos infravermelhas, como esta logo abaixo.

Créditos: Roie Galitz

Infelizmente não é tão simples assim. A luz infravermelha está presente no nosso dia a dia, mas nossos olhos não são capazes de vê-la. Em teoria, os sensores das câmeras possuem um espectro de luz visível acima do nosso, sendo capazes de "ver" tanto o ultravioleta quanto o infravermelho.

Mas como eu disse na descrição do filtro UV, com o aperfeiçoamento dos sensores CCD e CMOS, esta sensibilidade diminuiu drasticamente, tanto para ultravioleta quanto para infravermelho. Existe um filtro interno, principalmente nos sensores mais novos, que bloqueia a luz infravermelha quase totalmente.

Com este bloqueio no sensor, ao usar um filtro IR rosqueado na lente, a única coisa que vai sair é uma imagem completamente preta. O filtro IR bloqueia todo o espectro de luz visível ao olho humano, deixando passar por ele e chegar ao sensor somente a luz infravermelha.

Mas se o sensor bloqueia a luz infravermelha, então o que sobra? Nada! Nenhuma luz, ou seja, uma imagem completamente preta. Se é assim, como tanta gente consegue fazer fotos infravermelhas? Existem duas possibilidades.

A primeira é ter ou comprar uma câmera bastante antiga, com um sensor tão obsoleto a ponto de não ter o filtro que bloqueia a luz infravermelha. Nesse caso o filtro IR para a lente funciona normalmente. A segunda é mandar a câmera para alguém que entenda do assunto, pedindo para remover este filtro bloqueador de luz infravermelha do sensor.

Optando pela segunda opção, é extremamente importante ter em mente duas coisas. A primeira é que a câmera precisa ser totalmente desmontada para remover este filtro do sensor, para depois ser remontada. Ou seja, a garantia da câmera já era!

A segunda coisa é que esta modificação é PERMANENTE. Depois desta modificação, a câmera não vai mais capturar a luz normal, só vai conseguir fazer fotos infravermelhas. Tendo isso em mente, fazer esta modificação não é uma boa ideia, a menos que ela seja feita em uma câmera reserva muito pouco importante ou que você seja realmente apaixonado por fotografia infravermelha.

Para descobrir se a sua câmera tem o filtro bloqueador de luz infravermelha no sensor, é muito simples. Pegue o controle remoto da sua televisão. Enquanto mantém qualquer botão do controle pressionado, sem soltar, aponte-o para a câmera com o mesmo lado que apontaria para a sua TV e tire uma foto.

Créditos: Sci-Toys

Caso uma luz avermelhada que é invisível a olho nu apareça na foto, fique feliz, pois a sua câmera é capaz de "enxergar" a luz infravermelha! Nesse caso, basta conseguir um filtro IR com o diâmetro da sua lente para fazer fotos infravermelhas. Já se nenhuma luz aparecer, o que é muito provável, o sensor da sua câmera de fato tem um filtro bloqueador de luz infravermelha.


Outros Filtros

Existem ainda alguns outros tipos de filtros, como de modificação de cores, de correção de balanço de brancos e de outros efeitos diversos. Estes não foram mencionados por não terem praticamente nenhuma utilidade na era da fotografia digital. Na fotografia analógica estes filtros eram essenciais, mas hoje em dia, todos eles são facilmente substituíveis por ajustes na própria câmera ou por recursos de qualquer bom programa de pós-produção, como o Lightroom.

Vamos agora falar do anéis.


Anel Aumentador (Step-Up Ring)





O que você faria se quisesse usar o mesmo filtro em duas lentes com diâmetros diferentes? Provavelmente compraria um filtro para cada lente, não é? Há menos que realmente queira ter dois filtros iguais, não é necessário comprar um para cada lente.

Supondo que o diâmetro do seu filtro seja 77mm e você tenha duas lentes: uma com diâmetro de 77mm e outra de 72mm. Como a primeira lente e o filtro tem o mesmo diâmetro, 77mm, eles se encaixam perfeitamente. Porém o filtro de 77mm não vai encaixar na lente de 72mm.

A solução? Um anel aumentador! Nesse caso, de 72mm para 77mm. Como o próprio nome já diz, este anel aumenta o diâmetro original da lente, nos permitindo usar filtros com diâmetros maiores em lentes com diâmetros menores.

Estes anéis existem em praticamente todos os tamanhos, como de 52mm para 67mm, de 58mm para 62mm, e assim por diante. Costumam ser infinitamente mais baratos que os filtros, sendo muito convenientes para usar um único filtro em múltiplas lentes diferentes.


Anel Redutor (Step-Down Ring)




O anel redutor tem exatamente a mesma função que o aumentador, só que o inverso. Vamos fazer a mesma suposição de antes.

Supondo que o diâmetro do seu filtro seja 49mm e você tenha duas lentes: uma com diâmetro de 49mm e outra de 55mm. Como a primeira lente e o filtro tem o mesmo diâmetro, 49mm, eles se encaixam perfeitamente. Porém o filtro de 49mm não vai encaixar na lente de 55mm. Para conseguir encaixar, usamos então um anel redutor de 55mm para 49mm.


Anel Inversor (Reverse Adapter Ring)



Você se lembra da aula 9 do módulo intermediário, onde eu falei sobre fazer fotografias macro com o método da lente invertida? Este anel serve para acoplar a lente invertida na câmera, pra não precisar ficar segurando. De um lado ele deve ter a mesma baioneta de montagem da sua câmera, e do outro, o mesmo diâmetro frontal da lente que você quer usar invertida.


Anel Reversor (Reverse Ring)




Você se lembra também da aula 10 do módulo intermediário, onde eu falei sobre fazer fotografias macro usando uma variação da lente invertida, só que com duas lentes? Este anel serve para acoplar uma lente na outra. O anel é macho de ambos os lados e deve ter em cada um deles o respectivo diâmetro de cada lente. Supondo que o diâmetro frontal da sua lente principal seja 62mm e da sua lente invertida seja 52mm, então você vai precisar de um anel 62mm-52mm para juntá-las.


Anel Conversor (Mount Adapter Ring)


Este anel possui uma baioneta de montagem macho de um lado e fêmea do outro. Serve para poder usar, por exemplo, lentes da Nikon em uma câmera da Canon ou vice-versa. O maior problema de fazer isso é que se perde algumas funcionalidades eletrônicas da lente utilizada, como foco automático e redutor de vibração. Além disso, devido ao anel criar uma pequena distância extra não programada entre a lente e o sensor, o foco pode não ficar tão preciso quanto deveria.

Até a próxima aula!

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